JOVENS PROMESSAS - DANILO PEREIRA
Para a geração nascida em 1991, esta época representa, no futebol, a passagem definitiva para o escalão sénior e o começo de um novo ciclo. Os sonhos de criança "vestem" finalmente roupa de homem. Sonhos esses nascidos em tantas e tão distintas partes do mundo, como em África, continente de contrastes. Um diamante de talento em estado puro, que aos poucos se vai deixando lapidar.
No mundo do futebol sempre se entendeu o continente africano como um filão por explorar, uma parte do planeta onde despontou um potencial atlético fora do vulgar. Se à força física for, finalmente, aliada uma competência mental que permita entender o futebol como um jogo e não como uma prova de resistência e superação física, então será cada vez mais comum vermos jogadores oriundos deste continente a pensar e a pegar nas rédeas do futebol das suas equipas.
Hoje cruzamos o globo rumo à Guiné-Bissau, terra natal de DANILO PEREIRA, jogador "todo-o-terreno" da equipa júnior benfiquista.
Da Guiné para o Arsenal…de Mem Martins
Nascido no continente africano, mais propriamente na Guiné-Bissau, foi bem cedo que rumou a Portugal e "assentou arraiais" em Mem Martins, no concelho de Sintra.
O gosto pelo desporto e pelo futebol nasceu bem cedo, sendo que, com apenas três anos, andava sempre rodeado de bolas e brincava com elas em todo o lado, eram o seu brinquedo, a sua prenda preferida. Assim foi, chegado a Portugal começou a pedir à mãe para jogar futebol e, aos 8 anos, ingressou num pequeno clube de Mem Martins – O Arsenal 72.
A viver com a mãe e os dois irmãos, foi através de um colega de escola que conheceu o pequeno clube, sendo que era o pai do amigo que os levava aos treinos. Assim começava o trajecto futebolístico do jovem jogador e cedo se destacaram as evidências físicas do atleta. A capacidade atlética era marcante para a idade e o gosto pelo desporto era abrangente, levando o jovem jogador a alargar os seus horizontes ao atletismo, modalidade que praticava na escola, participando em vários campeonatos escolares, regionais e tendo mesmo viajado até ao estrangeiro. O primeiro encontro com os títulos foi mesmo na pista de atletismo, conquistando algumas medalhas, incluindo uma de ouro.
Ganhava no atletismo os títulos que não ganhava no futebol, pois o modesto Arsenal de Mem Martins não lhe permitia esses voos, mas permitia-lhe evoluir, crescer e despertar a cobiça dos maiores emblemas nacionais.
Uma recusa ao Benfica para dar um passo de cada vez
Danilo, aos 12 anos, para além da assinalável estampa física e de capacidades motoras e atléticas capazes de impressionar, denotava já uma cultura futebolística, tranquilidade e capacidade de leitura de jogo amplamente reconhecidas. Foi assim que o Benfica tentou levar o jogador para a Luz.
A proposta apareceu mas a mudança não se efectivou. As dificuldades de deslocação, a incompatibilidade de horários com a escola e o facto do clube encarnado não ter na altura uma academia dificultavam a transferência do jovem jogador e a resposta seria negativa. Por muito aliciante que fosse, a mudança seria feita de forma gradual e seria dado um passo de cada vez. Foi assim que voltou aos treinos no Arsenal 72.
Pouco tempo depois outro convite apareceria e desta feita mais acessível e mais próximo de casa. O convite do Estoril Praia era visto com bons olhos e seria um passo seguro e em frente na carreira.
No clube da linha ganhou outra maturidade competitiva e encontrou a serenidade necessária para, na importante fase de transição na formação futebolística, afirmar-se dentro e fora de campo, revelando uma tranquilidade e segurança muito grandes. A adaptação às diferentes vertentes do jogo foi sendo cada vez mais assimilada e era com muita naturalidade que começava a despontar cada vez com mais intensidade o seu talento.
Cinco anos depois de ter chegado, integra a equipa de juvenis orientada pelo mister Vítor Barruncho e revela-se cada vez mais preponderante, afirmando-se como médio-centro. As exibições do jovem jogador despertavam a atenção de todos e foi assim, aos 16 anos, que apareceu o seu primeiro empresário – Bruno Meireles. Sabendo do potencial do atleta guineense foi tomada a decisão de dar definitivamente o salto, aparecendo novamente o nome do Benfica e desta vez a resposta seria outra.
A afirmação como futebolista de Águia e Quinas ao peito
Depois de gorada a primeira tentativa, o Sport Lisboa e Benfica acertava finalmente a transferência do jovem médio e este mudava-se para o Seixal, passando a ser residente no Caixa Futebol Campus.
Chegado ao emblema encarnado, a dimensão do clube e as exigências do escalão júnior não assustaram o recém-chegado jogador, que depressa mostrou sinais de uma rápida adaptação e uma vontade enorme de deixar a sua marca, mostrando definitivamente que mais do que um jovem com impressionantes capacidades atléticas, queria afirmar-se como jogador de futebol com a determinação para agarrar a qualquer oportunidade.
Integrado num plantel muito rico que contava com nomes como NÉLSON OLIVEIRA, Roderick Miranda, DAVID SIMÃO, LEANDRO PIMENTA, Lassana Camará, entre outros, foi uma das mais sólidas apostas do mister JOÃO ALVES, merecendo um claro destaque no final da prova. A sua rápida afirmação na equipa benfiquista foi penas a confirmação das capacidades do jovem médio que foi um dos elementos mais utilizados na equipa que disputou o campeonato nacional de juniores da época passada, que teve o desfecho que todos, por esta altura, bem sabemos.
Esta época, no último ano antes da passagem a sénior, e sendo um dos mais polivalentes jogadores às ordens de Diamantino Miranda, tem marcado presença habitual no onze encarnado que procura o título de campeão nacional de juniores, revelando uma enorme segurança para desempenhar várias tarefas. Tem deambulado por quase todas as posições do meio-campo, sendo, inclusive, uma opção válida como defesa-central, posição que desempenhou recentemente em Faro, tendo mesmo marcado um golo, o seu sexto no campeonato, revelando também bastante acerto na hora da finalização.
A qualidade e a regularidade das exibições do jovem jogador não têm passado despercebidas aos responsáveis do clube da Luz. Se na época passada realizou alguns treinos com o plantel principal, na presente temporada já foi chamado para representar a equipa às ordens de Jorge Jesus, tendo sido titular no jogo que a equipa encarnada disputou nos Açores a contar para o troféu de homenagem a Pedro Pauleta.
Com a transferência para o Benfica e a rápida ascensão de águia ao peito, foi com naturalidade que chegou às selecções jovens de Portugal, sendo uma presença regular na selecção Sub-19 orientada por Ilídio Vale. A capacidade de desempenhar várias posições com elevado grau de competência permitem-lhe ser uma aposta segura, abrindo-lhe assim boas perspectivas para, com base na segurança do seu trabalho, conquistar um lugar e o seu sonho de quinas ao peito.
O poder físico africano numa mentalidade ocidental
Desde cedo que as capacidades atléticas foram bem evidentes no jovem jogador, distanciando-o dos restantes, mas onde fica o físico sem a táctica e a técnica? Provavelmente cairia no esquecimento. A componente física é sem dúvida importante e uma mais valia, mas só a capacidade técnica e a disciplina táctica vão conseguir "domar" o potencial físico dando-lhe uma homogeneidade muito importante no futebol actual. À robustez física Danilo junta uma leitura das necessidades da equipa e do jogo acima da média, permitindo-lhe "respirar" no jogo com grande à vontade, mesmo em situações mais apertadas e nos quadros competitivos mais exigentes.
A lucidez táctica, uma enorme segurança e maturidade permitem-lhe desempenhar qualquer posição do meio-campo com grande qualidade, fazendo dele um médio completo, podendo actuar como médio de cobertura, de transição, ou mesmo actuar perto das faixas laterais. Ao poder físico alia uma grande inteligência nos confrontos individuais, conferindo-lhe uma capacidade de recuperação de bola muito grande. De processos simples e eficazes, revela uma capacidade técnica apreciável que lhe permite ocupar espaços com enorme à vontade e segurança, sabendo entender com grande facilidade todos os momentos e necessidades do jogo.
Sendo no meio-campo que se sente mais à vontade, pode recuar ao centro da defesa. A boa envergadura física garante-lhe uma boa presença, mesmo no jogo aéreo, que lhe confere muita segurança e tranquilidade. O carácter calmo e reservado fazem dele um jogador com uma postura muito correcta dentro de campo.
Sempre existiu algo de apaixonante no futebol africano, algo de desconhecido que transportou para "o mundo do futebol" tantos craques com capacidades de fazer crer que em África existe um diamante em bruto pronto para ser lapidado. Aos 18 anos Danilo Pereira tem o fulgor e a força física do continente africano mas a serenidade e a mentalidade de um jogador ocidental, pronto para do alto da sua torre de vigia passear classe e segurança pelo relvado de um campo de futebol.
Nome: Danilo Luís Hélio Pereira.
Data de nascimento: 09/09/1991 (18 anos).
Nacionalidade: Portuguesa.
Naturalidade: Guiné-Bissau.
Altura: 1,86.
Peso: 70 Quilogramas.
Posição: Médio.
Percurso: Arsenal 72 Desporto e Cultura, Grupo Desportivo Estoril Praia, Sport Lisboa e Benfica.
Clube actual: Sport Lisboa e Benfica.
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