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Domingo, 25 de Dezembro de 2011
Entrevista a Marco Silva - Record
Entrevista a Marco Silva, treinador do Estoril (versão integral)
25 dezembro de 2011 | 16:54
Colocado por: Miguel Amaro
 

* versão integral da entrevista publicada no Record de 24 de dezembro

Começou a época como diretor-desportivo mas em outubro sucedeu a Vinícius Eutrópio no Estoril. Acredita na subida à 1.ª Liga mas não esconde...

«Atingir o topo tão cedo foi uma surpresa»

 

RECORD – Começou a época como diretor-desportivo, passou a treinador e, dois meses depois, lidera a Orangina. Grandes mudanças, não?

MARCO SILVA – Sim, foram. Se há três meses me perguntassem se pensava vir a ser treinador ainda esta época responderia que não. Quando a administração da SAD decidiu trocar de treinador consultou-me e, então como diretor-desportivo, indiquei dois nomes que me pareciam indicados para este projeto. Depois convidaram-me para o cargo e decidi aceitar este desafio, consciente de que era arriscado mas também acreditando que podia ajudar o clube nesse momento difícil.

R – Mas durante a carreira de jogador já pensava ser treinador?

MS – Foi para isso que me preparei desde os 25 anos, altura na qual fiz o 2.º nível do curso, foi algo que sempre me interessou. Depois fiz outro tipo de formações, na área do dirigismo, mas não pensava vir a ser diretor-desportivo. Afinal, fui dirigente mas dois meses depois sou treinador.

R – Como é conciliar os dois cargos?

MS – A situação é muito particular. Se fosse no início, quando é preciso preparar a época em termos de logística, ia ser muito mais complicado. A parte mais trabalhosa para o diretor-desportivo já passou e neste momento, e com a ajuda da restante estrutura, tem sido possível gerir.

R – O facto de, como diretor-desportivo, ter ajudado a construir o plantel, facilita o trabalho como técnico?

MS – Ficaram só 8 da época passada, mas todos os que chegaram a contratação passou por mim, conheço-os bem. É mais fácil para mim, mas também facilitaria o trabalho de outro técnico pois este grupo tem qualidade.

 

R – A estreia não foi feliz: derrota em Penafiel (3-1) e três jogadores expulsos, mas depois nunca mais perdeu.

MS – Não foi fácil pegar na equipa numa 4.ª feira e jogar domingo de manhã. Fomos todos traídos pela ansiedade, quisemos mostrar logo que podíamos mudar, tirar a equipa daquela situação e perdemos. Mas um plantel com esta qualidade e a trabalhar da forma como o fazem, com esta alma e com esta humildade, acabou por dar a volta à situação.

 

R – E agora, como está o plantel a encarar a liderança?

MS – É uma responsabilidade diferente, mas boa. Na semana anterior disse aos jogadores que é preferível ter de assumir a responsabilidade de poder saltar para o 1.º lugar do que a de estar a jogar para fugir aos últimos. Da mesma forma como se falou muito do Atlético enquanto esteve na frente, agora vão falar mais de nós, isso é óbvio. Mas eles sabem bem como estas coisas são. Conseguiram chegar à boa posição na qual estamos e temos todos de saber conviver com ela.

 

R – Esperavam chegar tão cedo aos lugares de subida?

MS – O meu primeiro jogo como treinador foi a 2 de outubro. Se nessa altura nos perguntassem se acreditávamos que o Estoril ia estar em 1.º antes do Natal, diríamos que não. O nosso objetivo era apenas ir ganhando jogos para recuperar na tabela pois na altura estávamos em 15.º. Confesso que chegar ao topo tão cedo foi uma surpresa, mas olhando para estes meses apetece dizer que era impossível ter feito melhor. O que posso garantir daqui para a frente é que a nossa humildade e a atitude em campo não vai mudar. Não vamos ganhar os jogos todos, também vamos perder, mas a entrega e a vontade será sempre nesse sentido, agora ainda será maior.

 

R – Encaixou 3 golos na sua estreia mas depois o Estoril nunca mais sofreu golos. Como antigo defesa ensinou a equipa a defender?

MS – Eles já sabiam defender. O processo defensivo é mais fácil de assimilar do que o ofensivo. Não sofremos golos nos últimos 6 jogos por mérito de toda a equipa. Da forma como consegue abordar o jogo, não só em termos defensivos mas no seu todo. Mais cedo ou mais tarde vamos sofrer golos, obviamente, mas se em cada jogo sofrermos 1 e marcarmos 2 sairemos do campo contentes.

 

R – Agora no topo, estão prontos para serem o alvo a abater?

MS_– Até agora era o Atlético, seremos nós enquanto estivermos na frente. As equipas ganham uma motivação extra quando defrontam o líder... Sempre assumimos o objetivo e vamos lutar por ele, respeitando os adversários. Estamos no lote das equipas que querem subir, mas estamos na 12.ª jornada, faltam muitas batalhas.

 

R – Quem vai lutar pela subida?

MS – Não vou dizer os nomes. No início há sempre muitas equipas que querem subir e há surpresas, o Atlético esteve 10 jornadas na frente mas assumiu que não era esse o seu objetivo. Entre o 1.º e o último estão apenas 10 pontos de distância e até os do fundo da tabela, se ganham 3 jogos seguidos vão parar lá acima. Quem estiver no grupo da frente até à 25.ª ou 26.ª jornadas lutará pela subida. Nós queremos estar nesse lote.

 

R- Tem algum modelo de treinador?

MS – Não tenho um modelo mas durante uma carreira de 16 anos como jogador profissional conheci muitos treinadores. Quem já pensa em tornar-se treinador vai retirando os bons aspetos de cada experiência e eu fui aprendendo, até porque em Portugal temos uma boa escola de treinadores. Tive boa relação com todos mas agradeço particularmente aos últimos pois esses, por saberem o que eu iria fazer quando terminasse, foram-me incentivando. Tenho a minha forma de pensar o futebol e a melhor alegria destes últimos meses é a de perceber que a mensagem que passo aos jogadores tem sido compreendida e bem recebida.

 

R – Como se imagina daqui por um ano?

MS – Depois da forma como correu o último, custa-me imaginar como será daqui por um ano. Mas o meu desejo é o de estar a treinar o Estoril, mas na 1.ª Liga.

Reforços

 

R – Pediu reforços para a 2.ª volta ou vai apenas regressar o Tony Taylor?

 

MS – Todos os técnicos querem reforços. O_plantel tem qualidade mas há sempre um ou outro jogador que o podiam tornar mais equilibrado. Podem chegar um ou dois, mas quando ao Tony Taylor, por respeito ao Atlético, que joga dia 28, não vou comentar.

 

R – Fogaça, Alex Hauw e De Paula, vieram da 1.ª Liga e não jogam. É fácil gerir o balneário. ?

MS – Tem sido fácil gerir pela boa relação entre todos e porque são grandes profissionais e respeitam as decisões. Quem não joga nunca está satisfeito, mas eles continuam a trabalhar da mesma forma e vão ter oportunidade de jogar.

 

R – E o Carlos Eduardo? É apontado como uma grande promessa mas desapareceu da equipa.

MS – É um jovem com grande potencial mas tem 21 anos e precisa de se adaptar a uma nova realidade. Tem muita qualidade mas há muitos jogadores que demoram mais tempo a adaptar-se a um novo país e a outro tipo de futebol. Acontece o mesmo com o Rodrigo Dantas. Vem da formação dum bom clube brasileiro (Botafogo) mas precisa de tempo.

 

R – Falou na boa relação e reparo que os jogadores não o tratam por mister.

MS – Quando passei a diretor deportivo deixei-os à vontade e eles continuaram a tratar-me por Marco ou por capitão. Nunca vou obrigar nenhum jogador a tratar-me por mister. Nem seria por isso que revelariam mais respeito por mim, o respeito revelam-no diariamente na relação comigo, com a restante equipa técnica e pela forma como trabalham e se dedicam ao clube.

O papel da Traffic

R – Deve ter dos poucos planteis a receber certinho e dia 1 de cada mês. Isso facilita o trabalho?

MS – É óbvio. Como profissional gostaria que todos os clubes fossem assim. Todos no futebol português devemos lutar por isso, por acabar com essa desigualdade de uns poderem estar a jogar tranquilos e outros sem receber os ordenados. Aqui no Estoril, como jogador, passei por situações complicadas. Agora claro que ter os ordenados em dia facilita, concentramo-nos só no trabalho.

 

R – E se o Estoril não subir? Há o risco da Traffic abandonar o projeto. 

MS – A Traffic pegou no clube quando este estava praticamente a fechar as portas, já ninguém acreditava na salvação do Estoril. Conseguiram torná-lo num clube cumpridor e respeitado por todos, inclusive os adversários. Agora todos os profissionais gostam de aqui estar porque sabem que quem comanda cumpre religiosamente com tudo, não nos deixa faltar nada. Sinceramente, não acredito que deixe este projeto sem concluir o  processo natural, continuam empenhados em atingir esse objetivo. A aposta da Traffic é a de chegar à 1.ª Liga mas não significa que desistem se isso não acontecer esta época. As ações são da Traffic e a empresa é que sabe o que vai fazer, mas duvido que a administração pense em sair no final da época.

 

R – Esta época apostaram mais no mercado português. O Estoril já não é tratado como a equipa brasileira da Liga Orangina? 

MS – Na primeira época da Traffic no clube surgiram alguns comentários, mas acho normal. Um clube português comprado por uma empresa brasileira, depois chegaram 15 ou 16 jogadores da Traffic e as pessoas falaram disso. Depois, na época seguinte veio também uma equipa técnica formada por brasileiros. No entanto, nunca senti ninguém falar mal de nós por causa disso. As pessoas começaram a perceber que o Estoril se tornou num clube organizado e cumpridor e passámos a ser respeitados por isso. No último verão a política de contratações mudou e mesmo os jogadores brasileiros que chegaram esta época, à excepção do Rodrigo Dantas, já estavam no futebol português há vários anos. Este plantel já tem mais portugueses mas também cabo-verdianos e um francês, penso que já passou esse estigma causado pelo primeiro impacto. Mas nós nunca quisemos ser conhecidos assim, queremos apenas ser vistos como o Estoril Praia, nada mais.

O mais antigo da Amoreira

 

R – Como jogador passou por muitos clubes até chegar ao Estoril, clube do qual nunca mais saiu. Já se sente parte da mobília? 

MS – A carreira de jogador passa por isso, andamos por onde surgem as melhores oportunidades. Quando cheguei ao Estoril foi numa fase na qual a minha vida pessoal estava a estabilizar e com o nascimento da minha primeira filha era preferível estar perto de casa. Depois fui ficando e comecei a gostar do clube. Já são seis anos aqui, passei por muitas situações no clube,  mas essas também serviram para tornar esta ligação mais forte.

 

R – Quando o clube esteve para fechar, em 2006, muitos abandonaram. Valeu a pena ter ficado? 

MS – Sim, sem dúvida. Foram momentos muito complicados mas hoje, o que estamos a viver no clube e o facto de as pessoas terem confiado em mim para novas funções no Estoril confirma que valeu a pena tudo o que dei ao clube enquanto jogador e valeu a pena ter resistido a tantas dificuldades.

 

R – Os anos de casa proporcionam uma boa relação com os adeptos? 

MS – A relação sempre foi boa. Quando vamos ficando num clube os sócios passam a conhecernos e cria-se essa ligação entre todos. Agora a minha situação é outra mas eles percebem isso, sou o treinador e eles respeitam-me como o faziam enquanto jogador. Aqui os adeptos são poucos mas bons. Apoiam-nos sempre.

 

R – Mas esse apoio pode acabar quando aparecerem as derrotas? 

MS – Mas isso acontece em todos os clubes. No entanto, da mesma forma que agora sou o treinador e o responsável pelo grupo, quando os resultados não forem os melhores também cá estarei para responder por eles.



publicado por gdestorilpraia às 19:40
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